Notas Nexialistas · e-Tribais
Viagem que não muda a segunda-feira é turismo
Em novembro, dezenas de executivos brasileiros vão andar pelos corredores de gigantes de tecnologia na China, nos Estados Unidos e na Europa. A pergunta que pouca gente faz é: quantos deles voltam e mudam alguma coisa na segunda-feira?
Já fiz algumas dessas viagens, do MIT a Austin, de Orlando à Alemanha. A melhor lição não veio de nenhum palco. Veio da volta.
A conta mudou
Os gastos com viagens corporativas devem crescer 7,2% em 2026, mas o número de viagens só 1,3%, segundo a GBTA. As empresas viajam quase o mesmo tanto e pagam bem mais. A pergunta deixa de ser "quanto custou" e passa a ser "para que serviu". E os relatórios medem custo e conformidade, mas quase nunca registram por que a pessoa viajou.
O calendário está cheio
- Web Summit, Lisboa: cerca de 300 startups brasileiras e uma das maiores delegações do evento.
- Slush, Helsinque (18 e 19/11): 12 mil pessoas e mais de 25 mil reuniões, com investidores sob o mesmo teto.
- CES 2027, Las Vegas: inscrições abertas, com prazo para delegações internacionais.
- GITEX, Dubai (7 a 11/12): mais de 6 mil empresas e 750 investidores.
- Missões ao MIT e a Harvard, menos piso de feira e mais laboratório.
- E perto de casa: Fortaleza, com indústria inteligente, e Londrina, com o ELI Summit.
Missão é experimento
Em um evento desse tamanho, o crachá não garante nada. Quem volta com negócio na mão chega com agenda, sabe quem quer encontrar e reserva tempo para as conversas menores, longe do palco principal.
Por isso eu trato toda expedição como experimento:
- Antes: uma pergunta clara e um critério de sucesso combinado antes de embarcar.
- Durante: roteiro enxuto, academia, hub e empresa no mesmo dia, se possível.
- Depois: um plano de 90 dias montado ainda no destino. Se a hipótese não se confirma no primeiro dia útil de volta, a próxima missão precisa mudar, não só crescer.
Gostei de ver uma learning journey alemã ao Vale do Silício em que a segunda semana inteira é de implementação. A visita sem essa semana costuma virar caderno cheio e decisão vazia.
Em maio de 2027 eu sigo para a Itália, numa expedição que mistura estrada, raízes e inteligência artificial: Roma, Toscana, Milão e Vêneto; as cidades de origem das famílias Baesso, Scarabelli e Piveta; e dois dias na AI WEEK, em Milão. Vou levar a pergunta antes da mala.