Notas Nexialistas · Tech

Fidelidade não é planilha com logotipo

Carlito Junior BAESSA2 min de leitura

Vou ser direto: a maioria dos programas de fidelidade que conheço é uma planilha com logotipo. Acumula ponto, vence ponto, ninguém lembra do ponto. Passei a semana olhando o que o varejo mundo afora está mudando, e a lista de lições é curta e incômoda.

A régua mudou

  • Visita em vez de gasto. A Circle K, com mais de 16 milhões de membros, trocou o desconto por valor gasto por um modelo de visitas e níveis. A Rural King foi por outro caminho: acabou com os pontos e passou a dar preço exclusivo de membro. Valor imediato em vez de saldo para esperar.
  • Grátis bateu pago. O grupo Lotte encerrou sua assinatura paga e lançou uma membership gratuita, com níveis pelas compras dos últimos quatro meses. Os novos membros gastaram, em média, 150% a mais por pessoa. Cobrar pela entrada não é o mesmo que construir um motivo para voltar.
  • Regra clara. No programa da Lenovo, o cliente sabe a conversão, a validade e o teto. Não precisa decifrar tabela escondida nem levar "surpresa" no caixa.
  • Sem segundo app. No Quênia, um grupo de varejo pôs a fidelidade dentro do app que o cliente já tem. Programa que obriga a instalar outro app e lembrar outra senha já nasce perdendo.

E um alerta: quando o crédito que traz o cliente mora no app de outra empresa, como nos clubes de grandes plataformas, a sua loja vira ponto de resgate. Útil, mas diferente de ser a escolha do cliente.

O dado que mais pesa vem depois do carrinho

Na pesquisa da LWSA com o Opinion Box, 50% dos consumidores dizem que um atraso excessivo ou um produto errado os faria desistir da loja. 37% voltam por causa de um pós-venda bem feito. No balcão da loja de decoração da minha família aprendi isso cedo: o cliente lembra muito mais de como foi tratado depois da compra do que do percentual na etiqueta.

A ordem das coisas

O mesmo vale para a IA nos processos. Uma plataforma de process mining agora responde em linguagem natural por que um pedido fatura atrasado. Uma empresa de BPM lançou um advisor que diz onde um agente de IA faria mais diferença, com a evidência por trás. A Hitachi Energy foi buscar o espelho do processo antes de pedir para a IA "otimizar".

Não é a marca da ferramenta. É a ordem: mapa, pergunta, evidência, correção. Se você solta o agente no passo errado, ele só acelera o retrabalho.

E cuidado com a gamificação da equipe: uma pesquisa da Universidade Concordia mostra que o mesmo ranking que motiva pode adoecer, quando vira vigilância em vez de reconhecimento.

O desconto traz a primeira compra. A segunda é de quem cuidou do cliente.